14 de outubro de 2013

A infância de um poeta

El soñador_Neruda_Peter Sis

Você pode imaginar como seria a infância de um poeta? O que será que ele pensa quando é criança? Quais são as suas atividades favoritas? Pois foi o que fez a autora do livro O sonhador, Pam Muñoz Ryan, junto com o ilustrador Peter Sís, inspirada por alguns relatos de infância de um dos poetas mais importantes do século 20, conhecido pelo pseudônimo de Pablo Neruda.

Neftalí (nome de batismo do poeta) ainda era criança, mas já sabia algumas coisas sobre si: não gostava de matemática e gostava de ler, ver destroços descendo o rio e colecionar objetos. Para seu pai, ele era um cabeça de vento e vivia distraído. Mas era só uma impressão porque Neftalí prestava atenção em coisas diferentes dos outros. “Todo detalhe curioso de sua vida o provocava”, conta a autora. Desde um resmungo do vulcão (que parecia um dragão) até a escada que tinha sido abandonada no meio da construção e poderia levar a um castelo em outro andar.

Tinha também um hábito muito peculiar: colecionar objetos que para os outros podiam ser até estúpidos, mas para ele eram importantes. Varetas tortas, ninhos de passarinho, pedras de todo tipo. Imagine os tesouros que ele juntou quando acompanhou seu pai à floresta! Pinhas, ovos de pássaros, até a ponta do rabo de uma raposa. Na praia, também fez um museu de verão: a casa de um molusco, garras de caranguejo e muitas conchas e pedras novas.

“Sempre que Neftalí tocava um objeto, imaginava as histórias que uma criatura poderia ter contado enquanto cruzava o seu caminho: uma lagarta para uma folha, uma cobra para um graveto, uma raposa para uma semente” – era essa a sua maior aventura!

Outra coleção de Neftali era ainda mais intrigante. Escrevia as palavras que mais gostava e também as que não conhecia em um pequeno pedaço de papel, dobrava e guardava em uma gaveta. “Adorava o ritmo de certas palavras e, quando chegava a uma de suas favoritas, repetia-a muitas vezes: locomotiva, locomotiva, locomotiva”. Aliás, isso não dá uma boa ideia? Guardar suas palavras favoritas em um pote de vidro?

É um jeito de ter um pouco de sua infância sempre com você, mesmo que um dia mude de nome, como decidiu fazer Neftalí, e de compartilhar o que você viveu, como um grande colecionador de aventuras.

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