23 de novembro de 2016

Uma fantástica história sem pé nem cabeça

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Um monstro que come ovo frito e toma suco de laranja salva um avião em apuros no espaço aéreo de Guaxupé. Parece absurdo pra você? Pois um grupo de crianças do distrito de Iguaraí, nos arredores de Mococa, interior de São Paulo, não só acha essa história sem pé nem cabeça muito normal como também a transformou em um livro ilustrado, com o título Noite Monstruosa.

Desenvolvido para o Ponto de Cultura “Fazendo Cultura com Arte” – uma parceria do Grupo TUMM com a Fazenda Ambiental Fortaleza e a associação de bordadeiras Café Igaraí (distrito de Mococa) – o livro conta com seis exemplares únicos, impressos em tecido de pano pela técnica de transfer, com bordados coloridos sobre as ilustrações originais das crianças. Dá para imaginar?

Como conta a artista plástica Julia Malta, que trabalhou na estruturação do projeto ao lado do também artista plástico e antropólogo João Galera, as bordadeiras de Igaraí tiveram liberdade para criar além do que havia sido proposto, o que fez toda diferença no resultado final. “O jeito como elas criaram em cima dos desenhos das crianças ficou ainda melhor”, diz.

Antes de chegar à história que deu origem ao livro, uma preparação tomou lugar entre as crianças de 6 a 11 anos. Foram realizadas atividades de integração com o ambiente, a partir das quais eles desenharam o distrito de Igaraí, e sessões de contação de histórias, usando a metodologia “história aberta”, aplicada pela contadora Kiara Terra, na qual os ouvintes ajudam na construção da narrativa.

A prática que efetivamente deu origem à história foi a seguinte: segurando a ponta de um rolo de barbante, alguém começava a narrar e jogava o rolo para outra pessoa, que por sua vez dava continuidade à narrativa e assim sucessivamente, até que acabassem o barbante ou as ideias. A única interferência dos mediadores neste momento tinha o objetivo de manter a história viva, não deixando, por exemplo, que os pequenos autores matassem o personagem principal na primeira cena. “De resto, tudo foi bem livre e espontâneo”, compartilha Julia.

Com a história pronta, as crianças desenharam cenas, personagens e objetos, que depois foram escaneados e diagramados para o formato final do livro. O formato, aliás, foi pensado para ter um tamanho suficiente para que uma contadora, professora e outros mediadores de leitura pudessem ler a história junto com as crianças, sentados ao redor do livro no chão, “por isso ele é bem grandão”. Outro detalhe é que as linhas e tintas usadas são laváveis – “exceto algumas das cores que foram compradas errado, então elas soltam tinta!”, avisa Julia. Mas isso será solucionado nos próximos livros.

Por falar em continuidade, o resultado final do Noite Monstruosa empolgou as crianças e as bordadeiras a participarem da produção do próximo livro. No total, serão realizados 3 livros com diferentes histórias e aplicando diferentes métodos de trabalho. Katelin, de 9 anos, perguntou se agora Noite Monstruosa seria impresso em papel para ficar na biblioteca da escola onde ela estuda: “Se o livro ficar na biblioteca e os nossos amigos da escola virem que temos criatividade para fazer uma coisa tão bonita, eles vão entrar no TUMM e aí a gente vai ter muito mais atividades”. Estamos torcendo para isso, Katelin!

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